domingo, 7 de abril de 2013

Show Maria Bethânia







A junção da interpretação e poesia decifradas pela mais linda voz que esse país conhece, atendem pelo nome de Maria Bethânia.
No palco, aquela mulher diferente de todas que já se conheceu. Com uma beleza própria, ela encanta e apaixona os olhos compenetrados e ansiosos na plateia. O repertório é lindo, mas incrivelmente passa a não ser o mais importante nesse espetáculo inesquecível.
O show dessa baiana é verdadeiramente transformador, leva a reflexão do que se entendeu até hoje como música e poesia, o poder das palavras na boca de quem as sente com o coração, e quando se dá conta, você está entendendo de outra forma, aquilo que sempre pareceu obvio. Com Bethânia não existe o óbvio, nem o clichê, com Bethânia as palavras ganham forças, que até seus pés (sempre descalços) aparentam sentir.
A impressão que se tem, é que de uma forma mágica, música e essa guerreira juntam-se e  tornam-se uma coisa só.  Sua leveza e desprendimento, seu sorriso brando e sua entrega no palco são dignas de todos os aplausos recebidos por esse público emocionado.
Prezo por um mundo um pouco mais “Bethânia”, com lugar garantido para a simplicidade, sem que a beleza e a magia sejam perdidas, lugar em que a música não só diverte, como emociona, ensina e te torna alguém melhor.  

segunda-feira, 25 de março de 2013

Batalha de Arroz num Ringue para Dois





Em um sábado qualquer do ano de 2012 vi “Luiz Antonio Gabriela” em um teatro público, paguei algo aproximado a sete reais e tive uma das melhores e mais brilhantes experiências da minha vida.  Em um teatro semi vazio, por um ingresso extremamente barato, não chegava a sete reais. Está certo que o grupo estava lá pela sua quarta temporada, mas sem exageros, eu veria dez vezes Luiz Antonio Gabriela. Para que o leitor que deve estar confuso com as minhas palavras, já que o título tem a proposta de falar de outra peça, logo me explico, estou tentando fazer uma comparação, dentro do possível.
Sábado dia 23 chego ao Teatro das Artes, lindo e muito bem arquitetado por sinal,  vejo uma bilheteria movimentadíssima, mesmo uma hora antes de começar o espetáculo, é impossível conseguir um bom lugar. O valor do ingresso setenta reais.
E lá vamos nós para o espetáculo da elite, a escolha da família da classe média. A junção do belo teatro e a foto de uma global estampada nos cartazes devem ser o suficiente para nos garantir retorto desse investimento, imagino que seja algo pensado, não só pelo público, como pela produção do evento.
Evidente que, sejamos claros, quando nos propomos a assistir comédias desta natureza não devemos esperar mais do que risadas descompromissadas, o que chamamos de comédia rasa, pois tem apenas o intuito de divertir. Sou a favor da liberdade cultural, e acho que todas as formas de arte são válidas, desde que tenham algum tipo de compromisso com alguma ideia central. Neste caso estamos falando de um espetáculo que no mínimo deve fazer rir, e se nem disso é capaz, sinceramente não entendi o que estava fazendo ali. Confesso que nunca senti vontade de deixar um teatro antes que o espetáculo terminasse, posso dizer então que  “Batalha de Arroz Num Ringue para Dois” me marcou de alguma forma.  
Uma trama sem sentido e desconexa, a insistência em algumas cenas causava uma certa irritação, a impressão que se tinha é de que o autor não sabia exatamente onde queria chegar. Não li o texto original de Mauro Rasi de 1985, mas a péssima adaptação se sobressaía em diversas cenas.
Sem falar da direção, ao menos que tenha tido como inspiração Os Trapalhões, posso dizer que foi de infelicidade sem limites. Os tombos forjados e as quebras de quarta parede dignas dos teatros infantis eram dignas também de pena.
Sobre o elenco, minha única colocação positiva é a presença de Nívea Stelmann, que em meio a tantas catástrofes num palco só manteve-se boa, e ponto. A atuação de Maurício Machado começa bem, porém se desgasta ao longo do espetáculo, o exagero desnecessário concentra demais a atenção no ator, que não é nenhum pouco aproveitada.
Ironicamente o espetáculo é visto, aplaudido e comentado por aqueles que acham que viram algum tipo de arte, e o humor “Zorra Total” ganha milhões em uma produção pobre e que não agrega absolutamente nada à sociedade. Esse “negócio” me parece bastante vantajoso, inclusive milenar, a política do “Pão e Circo” de Roma não era nada diferente disso.  Mantenham-se burros, riam de piadas esdrúxulas e não procurem nada que os façam  diferentes do que são hoje, e de preferência não nos incomodem com suas ideias.
Continuem gastando setenta reais em espetáculos medíocres divulgados pela rede Globo, graças a diversidade e ao bom gosto, sempre existirão aqueles preocupados em mudar o mundo com sua arte, mesmo que isso seja uma utopia,  afinal, nas grandes utopias nascem os maiores heróis e é de novos heróis que esse mundo precisa.

domingo, 17 de março de 2013






Fazer arte é um grande desafio, isso porque exige acima de tudo personalidade.
Sala de Espera é um espetáculo que além de outras tantas classificações, pode ser previamente intitulado como ousado. Com uma linguagem bem diferente do que estamos acostumados a ver nos palcos tradicionais, a ausência de diálogos parece não interferir no entendimento e na apropriação da história.
O riso é presente em quase todos os atos, o que não interfere na crítica contundente ao sistema.
Cada gesto devidamente pensado e o uso do exagero intencional são traços que denunciam não só a criatividade de um jovem diretor, mas de uma equipe entrosada e com muito talento.  

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ensaio Sobre a Queda







Um drama mergulhado em remorsos, ressentimentos e tragédias.
Ensaio sobre a queda é uma profunda história sobre os sentimentos e pensamentos que envolvem o momento mais difícil da vida de um homem, a morte.
Dante, se vê obrigado a encarar de frente todos os seus fantasmas. Nesse processo lúdico e doloroso ele redescobre verdades e faz as pazes com o passado. Como pano de fundo, a luta por igualdades e a trágica história do jovem militante Carlo (baseado em uma história real), filho de Dante, traz a tona a dor e a revolta, quando o assunto é um jovem que sonha por igualdade, se dedica a ela, e é morto por policiais em uma transmissão ao vivo.
Não existe momento mais verdadeiro do que a morte, incrivelmente Dante descobriu o sentido da vida diante de seu penhasco pessoal. A metáfora, muito bem colocada no texto, sobre a vida comparada a uma grande queda está presente o tempo todo no palco.
Com um elenco harmônico e com grande presença de palco, o drama ganha vida e a vida passa a ser a grande questão.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre mim





Olá,

Bom, desde que nasci venho brigando com a vida por algum espaço, que talvez eu nem saiba direito qual é. Só sei que é meu, e que deve estar em algum lugar esperando por mim.
A única certeza que tenho, é de que carrego comigo uma linda história de amor...pelas PALAVRAS!
Claro que ao longo dos anos acabei me entregando a muitas outras paixões. Reconheço que uma boa parte ainda guiada por elas. Me apresentaram a literatura, que me instigou, emocionou e ensinou, até que ela, acompanhada da vida, me apresentou o teatro.
Ai foi paixão avassaladora, daquelas que na primeira troca de olhares entende-se que sua vida mudará para sempre!
No teatro entendi que as palavras poderiam ser ainda mais belas e fortes através da emoção do ator,  que de nada adiantariam lindas palavras, se não existissem grandes atores que a dessem vida. Entendi até que muitas vezes a palavra mais importante é aquela que nem precisa ser dita.
Desde que essas duas paixões se encontraram na minha vida, as uso como combustível diário. Preciso sentir o que o teatro tem a me dizer, e preciso usar as palavras para expressar  tudo aquilo que o meu coração captou.
Não sei se sou uma crítica, por enquanto sou apenas uma apaixonada capaz de escrever sobre qualquer coisa.
Escrever é uma inquietação, a forma que encontrei de fazer com que o mundo saiba o que passa aqui dentro.
É a forma mais segura de mostrar quem sou, através daquilo que mais amo. Ser apenas aquilo que quero ser. Uma eterna escritora de mim mesma!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Toda Nudez será Castigada






Uma família hipócrita e uma prostituta de coração puro, somados a algumas traições e aberrações. Já temos os ingredientes perfeitos de um bom drama Rodriguiano.
Toda nudez será Castigada ao velho estilo do mestre, em cartaz no Sesc Consolação, fala sobre a tensa relação humana com o desejo e a moral.
A direção de Antunes Filho é marcada por dinamismo, seja na tomada de uma cena para outra, feita com os personagens ainda no palco, ou na apropriação da história.
Esse dinamismo também é perceptível na atuação do elenco, com personagens caricatas, o drama ganha vida, com toque próprio dos atores do grupo Macunaíma.
Montagens como essa devem ser vistas e apreciadas, o drama da vida real já é suficiente para retratar o sentimento humano, mas quando adicionamos o exagero a isso, nos descobrimos, descobrimos arte e descobrimos Nelson Rodrigues. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Amor de Mãe Parte 13




Um cenário aconchegante, uma trilha sonora muito bem trabalhada e jogos de luzes capazes de ambientar a plateia todo o tempo, são algumas das impressões que Amor de Mãe Parte 13 são capazes de causar, mas como disse, são apenas algumas das muitas impressões que esse texto forte e divertido trás consigo.
Do que seria capaz um ser humano que se entrega ao seu instinto mais primitivo, o materno?
A história dessa mulher, que é contado com muito humor, seja através do texto bem elaborado ou da atuação formidável de Lulu Pavarin, é trágica e dolorosa, mas o que vemos no palco é um show de riso, daquilo que pode se chamar de “humor negro”.
Embasada em uma vida de sofrimentos, essa mãe resolve privar seu filho durante trinta anos, do mundo e todos que encontram-se fora da calorosa fazenda. A peça dirigida por Eric Lenate, obedece a lógica e retrata todos os períodos vividos durante essa vida insana.
O que a torna bela, é que ao mesmo tempo que seu tema é distante da realidade é perfeitamente compreensível, não existe nada de novo em uma mãe que pretende proteger seu filho do mundo, essa ficção nos faz refletir sobre nossos valores mais íntimos.