domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ensaio Sobre a Queda







Um drama mergulhado em remorsos, ressentimentos e tragédias.
Ensaio sobre a queda é uma profunda história sobre os sentimentos e pensamentos que envolvem o momento mais difícil da vida de um homem, a morte.
Dante, se vê obrigado a encarar de frente todos os seus fantasmas. Nesse processo lúdico e doloroso ele redescobre verdades e faz as pazes com o passado. Como pano de fundo, a luta por igualdades e a trágica história do jovem militante Carlo (baseado em uma história real), filho de Dante, traz a tona a dor e a revolta, quando o assunto é um jovem que sonha por igualdade, se dedica a ela, e é morto por policiais em uma transmissão ao vivo.
Não existe momento mais verdadeiro do que a morte, incrivelmente Dante descobriu o sentido da vida diante de seu penhasco pessoal. A metáfora, muito bem colocada no texto, sobre a vida comparada a uma grande queda está presente o tempo todo no palco.
Com um elenco harmônico e com grande presença de palco, o drama ganha vida e a vida passa a ser a grande questão.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre mim





Olá,

Bom, desde que nasci venho brigando com a vida por algum espaço, que talvez eu nem saiba direito qual é. Só sei que é meu, e que deve estar em algum lugar esperando por mim.
A única certeza que tenho, é de que carrego comigo uma linda história de amor...pelas PALAVRAS!
Claro que ao longo dos anos acabei me entregando a muitas outras paixões. Reconheço que uma boa parte ainda guiada por elas. Me apresentaram a literatura, que me instigou, emocionou e ensinou, até que ela, acompanhada da vida, me apresentou o teatro.
Ai foi paixão avassaladora, daquelas que na primeira troca de olhares entende-se que sua vida mudará para sempre!
No teatro entendi que as palavras poderiam ser ainda mais belas e fortes através da emoção do ator,  que de nada adiantariam lindas palavras, se não existissem grandes atores que a dessem vida. Entendi até que muitas vezes a palavra mais importante é aquela que nem precisa ser dita.
Desde que essas duas paixões se encontraram na minha vida, as uso como combustível diário. Preciso sentir o que o teatro tem a me dizer, e preciso usar as palavras para expressar  tudo aquilo que o meu coração captou.
Não sei se sou uma crítica, por enquanto sou apenas uma apaixonada capaz de escrever sobre qualquer coisa.
Escrever é uma inquietação, a forma que encontrei de fazer com que o mundo saiba o que passa aqui dentro.
É a forma mais segura de mostrar quem sou, através daquilo que mais amo. Ser apenas aquilo que quero ser. Uma eterna escritora de mim mesma!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Toda Nudez será Castigada






Uma família hipócrita e uma prostituta de coração puro, somados a algumas traições e aberrações. Já temos os ingredientes perfeitos de um bom drama Rodriguiano.
Toda nudez será Castigada ao velho estilo do mestre, em cartaz no Sesc Consolação, fala sobre a tensa relação humana com o desejo e a moral.
A direção de Antunes Filho é marcada por dinamismo, seja na tomada de uma cena para outra, feita com os personagens ainda no palco, ou na apropriação da história.
Esse dinamismo também é perceptível na atuação do elenco, com personagens caricatas, o drama ganha vida, com toque próprio dos atores do grupo Macunaíma.
Montagens como essa devem ser vistas e apreciadas, o drama da vida real já é suficiente para retratar o sentimento humano, mas quando adicionamos o exagero a isso, nos descobrimos, descobrimos arte e descobrimos Nelson Rodrigues. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Amor de Mãe Parte 13




Um cenário aconchegante, uma trilha sonora muito bem trabalhada e jogos de luzes capazes de ambientar a plateia todo o tempo, são algumas das impressões que Amor de Mãe Parte 13 são capazes de causar, mas como disse, são apenas algumas das muitas impressões que esse texto forte e divertido trás consigo.
Do que seria capaz um ser humano que se entrega ao seu instinto mais primitivo, o materno?
A história dessa mulher, que é contado com muito humor, seja através do texto bem elaborado ou da atuação formidável de Lulu Pavarin, é trágica e dolorosa, mas o que vemos no palco é um show de riso, daquilo que pode se chamar de “humor negro”.
Embasada em uma vida de sofrimentos, essa mãe resolve privar seu filho durante trinta anos, do mundo e todos que encontram-se fora da calorosa fazenda. A peça dirigida por Eric Lenate, obedece a lógica e retrata todos os períodos vividos durante essa vida insana.
O que a torna bela, é que ao mesmo tempo que seu tema é distante da realidade é perfeitamente compreensível, não existe nada de novo em uma mãe que pretende proteger seu filho do mundo, essa ficção nos faz refletir sobre nossos valores mais íntimos. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Camille e Rodin






Como se não bastasse o contexto histórico que a obra oferece, somos presenteados com um belíssimo texto, que ganha vida e poética na interpretação contagiante de Melissa Vetore e Leopoldo Pacheco.
Arrisco dizer que só a presença de palco de Melissa já é o suficiente para tornar o espetáculo único.
A trama que conta as intimidades do relacionamento de duas figuras marcantes da história da arte (Camille Claudel e Auguste Rondin), tem como pano de fundo a França do início do século, seus conflitos e revoluções.
A figura da mulher na sociedade e na arte, ainda tratada de forma tão injusta, contribui para a empatia inevitável a essa sofrida artista plástica

O s diálogos intensos e profundos são enriquecedores.
Muito bem dirigida por Elias Andreato, é o tipo de espetáculo capaz de transformar o expectador, a beleza com que essa triste história é contada a transforma em uma obra prima, da qual faz jus a todos os elogias citados pela crítica

sábado, 1 de dezembro de 2012

Hamlet






O que faz do teatro imortal é a capacidade de artistas de criar e recriar.
Acredito que a arte, no caso teatral, seja o retrato de gerações, onde sentimentos e conceitos eternizam-se através de belas encenações.
Um dos maiores exemplos disso, é a quantidade de montagens de textos de Sheakspeare que somos presenteados ano a ano. É interessante perceber que em uma era tão veloz e individualista como a nossa, em que cada vez mais o pensamento prático e objetivo se torna unanime, ainda existe espaço para clássicos.
Thiago Lacerda ganha aquele palco com hombridade, e logo ninguém se lembra mais do galã global estereotipado. O Hamlet em cena é único e convincente.
O texto não sofre grandes adaptações, uma pena, já que teatro sem surpresas não é teatro por completo, mesmo assim a plateia sai satisfeita e a arte cumpre mais uma vez sua missão, de nos saborear com lindas histórias, nos fazendo refletir, chorar e aprender.

domingo, 4 de novembro de 2012

A Falecida




Um espetáculo no “quintal” de uma casa de cultura, abaixo de uma chuva artificial intensa, com um elenco numeroso interagindo com a plateia e três pessoas fazendo um mesmo papel.Sim parece loucura, mas é arte, e das melhores!
Como uma brincadeira de criança o espetáculo começa e assim prossegue. Os atores, todos muito jovens trazem consigo a euforia estampada em seus rostos, o que rapidamente contagia os expectadores, que pela proximidade física já se sentem parte da trama. A ansiedade diante do cenário irreverente, e claro, da chuva artificial é unânime.
E o espetáculo segue deliciosamente, texto de Nelson Rodrigues, com direção geral de Nelson Baskerville, não poderia ser menos do que genial.
 O espetáculo marca a estreia de Sandra Modesto e Marcos Felipe como diretores. Os traços marcantes dessa jovem direção estão na criação coletiva, quando a musicalidade (funk e rap) são incorporadas à trama por exemplo, além da maneira nada harmoniosa com que o elenco se espalha por todo o cenário, dançando e atuando. A impressão que se dá é que tudo acontece ao mesmo tempo. E acontece.
Três Zumiras em cena, algo que despertaria a atenção do próprio saudoso dramaturgo. Logo no início quando a existência dos trios é informada à plateia, essa situação causa estranhamento, mas não são necessários mais do que alguns instantes para que isso fique claro e dê mais dinamismo à trama.
Em meio a toda aquele inovação, cenas e diálogos marcantes do original são mantidos.
A beleza de A Falecida, mais necessariamente “dessa” não está nas roupas, nos artistas, nem no cenário. Está na busca por detrás de todo esse trabalho, na busca de jovens talentosos, em transformar e adaptar clássicos da dramaturgia brasileira.
 O teatro está aí para ser adaptado, acredito que o melhor presente a ser dado ao Nelson Rodrigues nesse ano de centenário seja exatamente esse, mantê-lo vivo, presente e atual reinventando-o sempre que pudermos e soubermos.